domingo, 23 de dezembro de 2018

Jornal de Tomar - A Verdade de 23 de Dezembro de 1888




Foi há 130 anos, a 23 de Dezembro, Domingo, que saíam as notícias do semanário "A Verdade" em Thomar, do "editor, proprietário e responsável" António da Silva Magalhães.

Após o escândalo do divórcio do rei da Sérvia e dos boatos da rainha de Portugal em se querer divorciar do Rei D. Luiz, novas notícias chegavam um pouco de todo o lado à nossa cidade, sendo que das notícias locais o Dr. Joaquim Jacinto regressou a Thomar, a D. Maria Henriqueta Martins e o Sr. Álvaro de Vasconcelos fazem anos na terça-feira, há o desfecho de uma situação burocrática no Registo Civil com o Sr. Ferraz em que o jornal "lamenta (...) ao Sr.Ferraz de Macedo (...) por mais uma vez ter ido esbarrar com um cretino".

Continuando, na semana passada, um dos criados do Sr. José Joaquim de Araújo, "acreditado comerciante desta cidade", quando procedia ao descarregamento de um casco de azeite de uma carroça para o armazém, "partiu-se uma das pranchas e batendo o casco na calçada saltou-lhe uma aduela". Apesar das providencias perdeu-se uma grande quantidade de azeite. Que desgraça...

No dia 17 o Sr.Guilherme Ferreira e a D. Florinda da Piedade casaram.

Surgem igualmente os preços actualizados do Mercado de Tomar onde os Tremoços estão a 230 Reis.




Há uma resposta ao Sr. Augusto da Silva Garcez, que em "vez ser um senhor às direitas" é "uma ratazana", assim como ao Sr.José Alves da Silva, em tom de despedida "E porque estes senhores são dignos um do outro, aqui declaramos que os deixamos - em paz e às moscas."

Perdeu-se um Varino, precisam-se sapateiro e funileiros.

Arrenda-se casa.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Tomar e 11 Decímetros

A obra Memória sobre Pesos e Medidas publicada em 1836, assegura na pagina 9 que a antiga unidade de medida Vara, 11 decímetros = 1.10 metros, estava representada na Câmara de Tomar e cuja mesma tinha sido doada pelo Rei D. Sebastião.





domingo, 9 de dezembro de 2018

Carta de Thomar para Junot (1808)

Em Julho de 1808, é graças à intervenção de D. Angela Tamagnini (1770-1827), fluente em francês, que é evitado um embate bélico entre o povo de Tomar e o exército francês ao comando do General Pierre Margaron sob a ordem de Junot.

General Margaron

Através da Gazeta de Lisboa (que neste período está ao serviço dos franceses como meio de propaganda napoleónica; o Intendente Geral da Polícia Pierre Lagarde dita a oficiais portugueses que fazem a tradução para português) é alcançável uma carta destinada a Junot cujo conteúdo é pouco ou nada conhecido.

O diálogo com o General Margaron, aliado ao acordo estabelecido, coexiste com uma lenda local de que o francês se apaixona pela italiana (por sua vez, casada com um "notável de Tomar").

A Gazeta de Lisboa não refere a presença de Angela Tamagnini, no entanto, a ter acontecido a negociação podemos deduzir que em algum momento esta carta terá entrado na negociação.

Gazeta de Lisboa, datada de 8 de Julho de 1808:

"Havendo-se manifestado em Thomar hum principio de insurreição, os Frades e a mais vil canalha foraó os unicos que tomáraó parte nesta revolta. Os habitantes honrados daquella Villa porém se deraó pressa a dirigir ao Illustrissimo e Excelentissimo Senhor Duque d'Abrantes a carta seguinte:


 Sua Excelencia ordenou ao General que marcha para Thomar , que distinguisse aquela Vila da cidade de Leiria , que quiz persistir no seu criminoso delírio, e que por isso recebeu o castigo merecido, como igualmente Beja e Villa Viçosa. A mesma sorte está reservada a todas as povoações que ousarem revoltar-se."


A Gazeta de Lisboa, como instrumento de propaganda ao serviço de Napoleão, continuou a dar o exemplo de Tomar em que os franceses foram "recebidos como amigos", ao contrário de Leiria onde houve mortes e destruição. Servindo assim esta diferença como aviso a todas as cidades e vilas de Portugal, como podemos verificar:

















A Carta de 1808 permite comprovar o poder do diálogo num cenário de guerra.