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domingo, 8 de setembro de 2019

Históricas da Orden y Cavallería de los Templarios


Eis uma obra antiga, de 1747, publicada em Madrid pelo político, economista e historiador Pedro Rodriguez de Campomanes (y Perez).

Um livro de grande interesse para quem gosta de ler e aprender mais sobre a Ordem dos Templários, cujas ligações a Tomar todos conhecemos.

Pode aceder à obra aqui:

Dissertaciones históricas del orden y cavallería de los Templarios

Relembrando que o próprio nome pertencia ao rio, depois atribuído ao castelo, castelo de Tomar, depois à vila, vila de Tomar.

Campomanes menciona as origens da terra e a ligação da ordem a Portugal, na mesma altura que em Castela, Leão, Aragão e Navarra.






quinta-feira, 2 de maio de 2019

Carta de 1809 escrita em Tomar

Esta publicação acontece na Feira do Livro de Tomar na presente quinta-feira dia 2 de Maio de 2019.

Estamos perante um documento com 210 anos.

Dentro da temática das Invasões francesas, trago mais um tesouro que faz parte da nossa história, desta vez, um documento que a Tomar Digital encontrou nos arquivos de uma universidade norte-americana, que deverá ter acesso ao original.

É uma carta escrita em Tomar a 4 de Abril de 1809 por António José de Miranda Henriques (1761-1835), general português bastante conhecido que estabeleceu o seu quartel general em Tomar no mês de Janeiro do mesmo ano.

Na obra "História de Tomar" Volume II, Amorim Rosa numa única frase explica que estabelece-se em Tomar o quartel-general de António José de Miranda Henriques, "encarregado da defesa da Beira Baixa", assim como, nos revela que a 10 de Abril chega Beresford ficando Tomar com "dois quartéis-generais"

A importância desta carta demonstra a visão do general e a sua liderança, parece tratar-se de um alerta sobre uma determinada ordem que não tinha sido processada. Encontra-se em inglês para que possa ser entendida pelos aliados ingleses.

A TOMAR DIGITAL desafia o leitor a investigar melhor o enquadramento desta carta e qual a sua importância no destino da guerra. Para partilharmos a sua opinião pode enviar a investigação para: Tomardigital@gmail.com  (que nós publicamos, bom trabalho!)

Daquele que foi o nosso entendimento sobre a carta:

This moment that apanticipation that the two squadrons I sent with the Brigade, that eas to go on to Coimbra to reinforce your troops, did not obey to on order of retreat I sent them in consequence of such aone I had of the Marchal Sir Beresford in these circunstances and to acomply the orders of his Excellence I bag you to do so in a manner, as to send away to his own quarters, not only the two o squadrons that were not sent to be at your orders, but also some of my troops that with the same spirit as the Squadron-Cond arrive there, excepted the Squadron of the two Batallions. You know that will never aim, but you can tell them, that this movement of retreat done by the orders of Sir Beresford, is of the first necessity to prevent by our union with his British Majesty´s troops the movementy of the enemy that want to go to Lisbon by Alentejo.


P.S.
Just now I have orders to retire all the troops I sent to Coimbra, excepted one Squadron of Cavaly tha will remais, you will dispose the order to the two Batallion and send them to Thomar.


O documento original pode ser consultado AQUI (clicar)


domingo, 31 de março de 2019

Wellington e o Coronel Pavetti prisioneiro em Tomar

Tomando a época das Invasões Francesas, surge a seguinte obra:

The dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington, ... v.6.Wellington, Arthur Wellesley, Duke of, 1769-1852.

Uma obra dedicada às cartas de Wellington, onde Tomar surge mencionada em alguns momentos, tem o pormenor de identificar o aprisionamento do coronel Pavetti na vila nabantina.

A Ordenança, pertencente ao exercito Português, fez o coronel Pavetti do exercito Francês  prisioneiro na vila Nave de Haver a sul de Almeida, tal como pode verificar no Linhas de Torres.

Numa carta escrita em Francês por Wellington é possível identificar que o próprio terá recebido uma carta do Pavetti escrita em Tomar, tal como podemos perceber na mesma.

Sobre Giacomo Pavetti, de acordo com esta fonte (link) podemos perceber que voltou a França em 1814.

Eis uma imagem rara de Giacomo Pavetti que teve a sua passagem por Tomar em 1810 como prisioneiro de guerra.

sábado, 9 de março de 2019

Sobre a Fábrica de Fiação de Tomar


O primeiro ano da obra Annaes da Sociedade Promotora da Industria Nacional publicado em Lisboa em 1822 pela Imprensa Nacional apresenta uma curiosidade sobre a Fábrica de Fiação de Tomar.




Inclui os estatutos da sociedade, onde constam, já datada de 1823 e impresso pela Typographia Rollandianna, 




os seus membros, cuja lista inclui três tomarenses: Antero José da Maia e Silva, António da Cunha Pessoa e Feliciano Tomé da Silva.





Depois, voltando ao Carderno Nº1, de onde quero retirar este curioso achado escrito sobre felicidade, sobre o qual considerei útil publicar:



Nele temos esta informação que permite perceber o número de qualidades de fio de algodão produzidos em Tomar em 1822, que seriam 56.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Parabéns Tomar


“ERA 1198 (1160, era de Cristo) REINANDO AFONSO, ILUSTRÍSSIMO REI DE PORTUGAL, GUALDIM PAIS, MESTRE DOS CAVALEIROS PORTUGUESES DO TEMPLO, COM SEUS FREIRES, COMEÇOU NO PRIMEIRO DIA DE MARÇO, A EDIFICAR ESTE CASTELO, CHAMADO TOMAR QUE, CONCLUÍDO, O REI OFERTOU A DEUS E AOS CAVALEIROS DO TEMPLO…”

No âmbito do Dia de Tomar, que se celebra a 1 de Março, a Tomar Digital publica os forais de 1162 e de 1174, cortesia da Casa de Sarmento:

Os forais tomarenses de 1162 e 1174

*ilustração de Dr. José Vieira Guimarães (1915)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

13 de Fevereiro de 1844

Fotografia de 1928
A vila de Tomar foi elevada a cidade a 13 de Fevereiro de 1844, perfazendo-se assim 175 anos após a assinatura do importante documento que hoje publicamos.

D. Maria, por graça de Deus, Rainha de Portugal, Algarve e seus domínios. Faço saber aos que esta Minha Carta virem que Eu fui servida de mandar passar o Alvará de teor seguinte: Eu a Rainha faço saber aos que este Meu Alvará virem que tendo-Me representado a Câmara Municipal da notável Vila de Thomar haver aquela terra desde tempos memoráveis, até que foi arrasada pela irrupção dos Árabes, gozado da categoria de cidade com a sua denominação de Nabância, reunindo a esta circunstância a grande notabilidade histórica e muitas e gloriosas recordações, que lhe estão ligadas; e atendendo não só ao alegado mas a ser a mesma Vila uma das mais vastas e formosas deste Reino, enriquecida com várias fábricas e ornada com diversos e belo edifícios, entre os quais se distingue, por sua celebridade, o do extinto Convento da Ordem de Cristo, possuindo além destes todos os mais elementos para sustentar com dignidade a categoria de cidade; e tomando finalmente em consideração os claros testemunhos que os Tomarenses Me têm dado da sua nobre dedicação ao Trono e à Carta Constitucional da Monarquia: Hei por bem e Me praz, Deferindo à representação da Câmara Municipal do Concelho de Thomar, que a dita Vila do dia da publicação deste Alvará em diante, fique erecta Cidade, denominando-se Cidade de Thomar, e que como tal goze de todas as prerrogativas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os Tribunais, Autoridades, oficiais e mais pessoas, a quem o conhecimento deste Alvará competir, o cumpram como nele se contém sem dúvida ou embargo algum. E por firmeza do que dito é Ordenado que pelo Secretário de Estado dos Negócios do Reino se lhe passe Carta em dois diferentes exemplares, que serão por Mim assinados e selados com o selo pendente das Armas Reais - a saber: um deles para seu título, e outro para se remeter à Torres do Tombo Pagará de direitos setenta mil réis, como constou de um conhecimento em forma com o número mil setecentos e quarenta e data de novo do corrente mês. 
Dada no Palácio das Necessidades em doze de Fevereiro de mil oitocentos quarenta e quatro - Rainha-M - António Bernardes da Costa Cabral.


Esta carta tem o selo e as armas reais, pendente de fita azul e branca, ligada ao papel pergaminho em que está escrito o Alvará e a data de 13 de Fevereiro de 1844.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Túmulo de Cavaleiro está identificado

Este será o túmulo que os exploradores ingleses de 1854 descrevem no campo de trigo em Tomar:



A Tomar Digital agradece a correspondência quase imediata dos leitores Paulo Guilherme Peixoto e do Rui Ferreira, que terão identificado o sepulcro descrito pelos exploradores ingleses no campo de trigo em Março de 1854.

De acordo com Paulo Guilherme Peixoto, este túmulo estaria no interior das muralhas, sendo o campo de trigo a praça de armas e a Porta de Santiago a entrada do castelo. "O túmulo pertence a um cavaleiro que está no Museu Arqueológico do Carmo."

Rui Ferreira contribui igualmente, em grande, para este contexto histórico, ao identificar o túmulo com imagem e informação do Museu Arqueológico do Carmo, como podemos encontrar no E-book na página 94.

"A tumularia do sec. xv e aqui representada pelo túmulo de Frei Gonçalo de Sousa (Vedor da Fazenda, Chanceler, Alferes-Mor, Comendador-Mor da Ordem de Cristo e Privado do Infante D. Henrique), procedente de Tomar (Capela de Santa Catarina do Monte Sinai - Convento de Cristo), (...)"

Link: Roteiro da Exposição Permanente - Museu Arqueológico do Carmo

Imagem presente no Link

Túmulo de Cavaleiro a céu aberto em Tomar


Resultado de imagem para sepulcro de cavaleiro medieval
Em Maio de 1854 um grupo de exploradores ingleses esteve em Tomar, dentro de uma viagem cujo resultado foi a publicação de uma obra para viajar em Portugal publicada em Londres em 1855.

(À direita imagem exemplo de um túmulo de cavaleiro Templário)

Mais uma vez, estes livros antigos trazem-nos novidades.

Devo realçar que os exploradores identificam a presença de um túmulo de cavaleiro, "muito bem esculpido", provavelmente pertencente à Ordem dos Templários ou à Ordem de Cristo, a céu aberto:

"In the middle of the wheat is a high tomb with the recumbent effigy of a knight, very finely sculptured."

Este Sepulcro, de acordo com a descrição dos exploradores, está perto da Ermida de Nossa Senhora da Conceição, num campo de trigo, sendo que o guia que os acompanhava identificou erradamente o monumento como a Igreja de Santa Catarina. Ou, numa outra hipótese, poderá mesmo referir-se à antiga Igreja de Santa Maria do Castelo, neste caso será já no interior da muralha. Sendo esta uma forte possibilidade. Pode por si ler todo o contexto:

"Passing the church of S. Joao Baptista (of which presently), and the little Praca beyond it, we begin to ascend the steep hill, the convent walls towering above our heads. Turning sharply to the 1. we enter the postern, and then the gate, of Santiago, coming out into what is now a wheat-field, but which was for merly a court. Close to the walls are the remains of the chapel of Sta. Cate rina, built, as the guide will not fail to assure you, by D. Caterina, queen of D. Diniz ; but as the only queen Catherine of Portugal was the wife of D. Joao III., local tradition does not preserve much accuracy here. In the middle of the wheat is a high tomb with the recumbent effigy of a knight, very finely sculptured. Below this chapel, and therefore to the S.E., is the castle of Gualdim Paes, now the property of the Count of Thomar."

Estamos perante um sepulcro sobrevivente ao tempo, que poderá ainda estar no local ou ter sido desviado para outra localização.

Lembro que a Igreja de Santa Maria dos Olivais incluía no seu interior os sepulcros dos cavaleiros Templários e de outros elementos da Ordem de Cristo.

A se redescobrir este túmulo, é ele só por si um forte motivo de visita e interesse profundo para os historiadores e visitantes.

Os livros de viagem Murray  foram publicados a partir de 1836 em Londres por John Murray (presente na ilustração acima).

Capítulo inteiro:



HANDBOOK FOR TRAVELLERS IN PORTUGAL

LONDON: JOHN MURRAY, ALBEMARLE STKEET. PARIS : A. & W. GALIGNANI AND CO.; STASSIN AND XAVIER. 

1855


1 Ponte do Nabao, 1 *Thomar: 3766 inhab. : the best inn is the Hospedaria de Comovos, in the Rua da Levada. Created a city in 1846, but not an episcopal see. This place, situated near the ruins of the ancient Nabantia, is undoubtedly one of the most interesting towns which Portugal can show to the ecclesiologist. Its position on either side of the Nabao, the steep hill that rises to the W., and is crowned with the enormous convent of the Order of Christ, the pilgrimage chapel of Nossa Senhora da Piedade, the very curious bridge, and the spire and tower of the two ancient parish churches surpass even Coimbra. We will first conduct the tourist to the convent, which in its way was unrivalled in Europe, The Templars entered Portugal in the time of Count Henrique, and were settled at Thomar, in the regency of D. Teresa, under their Master, Gualdim Paes. In 11 69 the defence of Alemtejo was intrusted to them ; and a third of all the lands won from the" Moors was to be their reward. In 1190 Thomar was be sieged by a vast army of the infidels under the caliph Jacoob. The Temp lars in commemoration of their suc cessful resistance caused an inscrip tion to be engraved on the walls of their castle which still exists, and where they draw largely on the faith of their readers so far as numbers are concerned. "In 1190, the 3rd of July, came the Miramolim of Morocco with 400,000 horsemen and 500,000 footmen to besiege this castle ; the siege lasted six days, and they de stroy ed all that could be found with out the walls. God was pleased to deliver the Master D. Gualdim and his brethren, and the Caliph and his barbarians returned to their own country." In 1311, when the Order of the Templars was suppressed, D. Diniz resolved on instituting another, which should occupy its place and succeed to its property. The result was the creation of the Order of Christ in 1319. Its principal seat was at first fixed at Castromarim (see under Algarve), but removed hither in 1449, when the great D. Henrique was Grand Master. No sufficient account of this wonder ful convent has as yet been published, and even Count Raczynski dismisses the subject in a very few pages. Pass ing the church of & Joao Baptista (of which presently), and the little Praca beyond it, we begin to ascend the steep bill, the convent walls towering above our heads. Turning sharply to the 1. we enter the postern, and then the gate, of Santiago, coming out into what is now a wheat-field, but which was for merly a court. Close to the walls are the remains of the chapel of Sta. Cate rina, built, as the guide will not fail to assure you, by D. Caterina, queen of D. Diniz; but as the only queen Catherine of Portugal was the wife of D. Joao III., local tradition does not preserve much accuracy here. In the middle of the wheat is a high tomb with the recumbent effigy of a knight, very finely sculptured. Below this chapel, aud therefore to the S.E., is the castle of Gualdim Paes, now the property of the Count of Thomar. We next ascend a long flight of steps, leaving to our rt. the palace of D. Caterina, the castle, and then the church. The whole convent consists of 9 cloisters, besides the above-named buildings and the aqueduct. The latter was the work of Philip II. and Philip III. The church received numerous additions from D. Manoel, who before his accession to the throne was Grand Master, from D. Joao III., and from D. Sebastiao "the Regretted." We first enter the church by the great S. door ; observe on the exterior of this door the panelling which extends to the roof. At the top of the whole S. Mary with the Divine Child, and lower down S. Jerome with other saints. Over the door is the Sphere of D. Manoel. The whole work is of the richest and most extravagant flamboyant, degenerating in parts into cinquecento. The arrangement is perhaps unique. The earliest part, the choir, which would seem to date from before the time of D. Diniz, is 16-sided; the altar is in the centre under an octagonal canopy, which rises to, and supports, the vaulting, thus leaving an aisle all round. The 3 divisions of the octagonal canopy behind the high-altar are exceedingly rich ; they apparently represented the Crucifixion, and have superb canopies. On the sides of the choir are figures of kings aud ecclesiasties, with le gends: in the vaulting, the sphere, the arms of Portugal, and the cross of the Order of Christ. The E. end is an exceedingly rich recess, with the images —by an odd juxta-position —of Silence and S. Mary. Notice the immensely massive chancel arch, with the pulpit on the S. side, and the sham painting of a pulpit on the N. to answer it. The nave —for there are no aisles —consists of 3 bays, but two are taken up by the coro alto, not properly speaking in a gallery, but raised to a great height above the third or easternmost bay, inaccessible from the church, and provided with a separate entrance. It is very plainly fitted up : the stalls are now not di vided except by passages : its E. screen is of wood and marble, and the walls are painted in the worst style of Eng lish church wardenry to imitate squared ashlar. Under the coro alto is the chapter-house, low and well vaulted in two bays, with lattice-work at the W. end, and one of the most extra vagant doors of D. Manoel's architec ture on the S. This was copied by the present king-regent at Cintra. This magnificent church is now de secrated, as the guide will not fail to remind you (and the admonition, after toiling up the long steep hill and en tering a building that strikes like an ice-house, is worth attending to), Que e senhor se cobra : a Igreja estd profanada. To the S. of the church is the Claustro dos Felippes, a handsome cinquecento erection of two stories. From the uppermost of these the coro alto is entered, and, treading cau tiously amidst the wax which is lying to bleach on the roof, you get a good view of the principal door. From this place you see the aqueduct stretch ing away towards the S.W. We may also ascend to the roof, though no one bird's-eye view can be obtained of the whole building. The small thin tower is at the E. end of the chancel, and by its side hangs the largest bell in Portugal, with the legend, " Benedictus Deus et Pater Domini Jesu Christi qui confortat nos in omnibus tribulationibus nostris." From hence the visitor will be led through the other cloisters, which do not call for particular description. The principal one contains a corridor in the shape of a T, ou either side of which were the rooms of the brethren. Each had a sitting-room, a bed-room, and a fireroom : in the latter the fireplace was in the middle, and the chimney sup ported on four shafts. In the corridor at the junction of the horizontal and vertical lines is the altar of N. S. da Pacieneia. To the N. of the church is the earliest cloister of first pointed work, five bays on each side, and very elegant : the azulejos round its base and round the raised beds which con tain orange-trees in the central court have a good effect. Notice the re cessed tomb of Diego da Gama, chap lain to D. Manoel, Jan. 23rd, 1523, que santa gloria aia. To the W. of these cloisters is the sacristy, a Grecian building. From hence the visitor is conducted to the castle and the palace of D. Caterina : they are now planted with wheat. A good view is com manded of the Postigo de Santiago immediately below, beyond that the spire of S. Joao Baptista, the city, and in the distance the tower of N. S. dos Olivaes, with the high ground about Corticada in the far horizon. To the left hand N. S. da Piedade on the top of its steep hill, the Serra de Alboaca, and the road to Coimbra : to the rt. the castle of Gualdim Paes and the valley of the Nabao. Descending the hill, we next visit the church of S. Joao Baptista. At the W. end of this is the Praoa, with the Casa da Camara opposite ; above that the convent. In the middle, sur rounded with young acacias, is the Pelourinho with the Sphere of D. Manoel. The tower, which is engaged at the W. end of the N. aisle, has—a most unusual thing in Portugal — an octagonal stone spire of good propor tions and effect: the Sphere at its summit shows, it to be the work of D. Manoel. The W. door is of very fine flamboyant. Notice in the interior the octagonal pulpit with the cross of the Order of Christ, the font, and the westernmost pier on the N. side. The lower part of the sides of the choir is lined with azulejos ; above these are eight paintings on each side, which, as well as that of the Baptism of our Lord over the high-altar, are attri buted to Gran Vasco. However, though they are not without their merit, the drawing in parts is too execrable to be his. Baczynski tells that, on inquiring of the sacristan by whom they were, the answer was, " Vasco, Vasco da Gama, Italianol " Leaving the church and retracing our steps to the bridge, which is of good pointed work with openings at the side, we get to the S.E. end of the town, passing the cemetery. Here is the church of N. S. dos Ohvaes, or N. S. da Assumpvao : the descent to it is by 1 9 steps. The tower is detached, and stands some distance from the W. end ; it is Romanesque, low, and massive, and may possibly be referred to the times of Gualdim Paes. The choir is apsidal ; the windows of the apse are filled with stone-work like that in many Somersetshire towers. Notice the azulejos which cover the vaulting of the S. chancel aisle with very good effect. In the S. aisle of the nave is a monument to Isabel, wife of Affonso de Vieira, treasurer to D. Affonso V.,eral492 = A.D. 1454. The W. window, a great 12-leaved marigold, and the very fine FirstPointed W. door deserve attention. Hence we may visit the cottonmanufactory, shown with the greatest courtesy by Senhor Loureiro, the pro prietor of 20 out of 32 shares, of which it consists. Although, of course, it cannot compete with the great Eng lish mills, it is nevertheless interesting to see how these things are done in Portugal. The largest in the king dom is at Lisbon, and is worked by steam. This, which is turned by water-power, is the second, and there is one nearly as large at Visella, near Porto. It employs 300 hands— 160 women, 140 men — besides 100 hands outside the mill, in bleaching, &c. The highest pay is 2s. a day, the low est, half a testao, 2fd. The rooms are very well ventilated, and the people seem healthy and contented. Senhor Loureiro's gardens are prettily laid out in approximation to the English fashion. Hence it is worth while to walk along the Levada, which works the mill, to the weir at its head, both for the sake of the view and for the picturesque effect of the washing and bleaching carried on in grottos at the side of the Nabao. Retracing our steps, and again cross ing the bridge, we may visit the chapel of S. Gregorio, an octagonal building with a fine flamboyant door. Immediately above this, on the sum mit of a steep hill, is the pilgrimage chapel of N. S. da Piedade ; the ascent to it, which in May 1854 was not quite finished, is by 255 steps in '24 tiers, the landing-place on each tier having on each side a semicircular stone seat : the effect of the whole is very fine, but under a Portuguese sun the ascent is rather trying. Halfway up on the right-hand side is the now ruined chapel of N. S. Jesus do Monte. The pilgrimage chapel itself was re built in lti 13 by Bernardo Ortiz Ochoa, but has some remains of flamboyant work. In visiting the curiosities of Thomar 2 days may very well be spent.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Festa dos Tabuleiros de 1956

A Tomar Digital inicia 2019 com uma obra que inclui um dos principais símbolos de Tomar, a emblemática Festa dos Tabuleiros, que decorrerá no presente ano.

Festivals of Western Europe da autoria de Dorothy Spider, publicado em Nova Iorque em 1958.

A escritora norte-americana Dorothy Spicer esteve em Tomar na Festa dos Tabuleiros de 1956 e tem uma descrição notável procurando inclusive perceber a origem da Festa, assim como, os poemas, a construção dos tabuleiros e organização. Até mesmo o pormenor dos foguetes ficou descrita.


A Corredoura (Serpa Pinto) cujas lojas estavam decoradas com versos:




Assim como a Rua do Camarão.



Na descrição dos Tabuleiros, de salientar a presença de frutas como limões e cerejas.





A escritora deixa-nos a mensagem final:

"Paz para Portugal e pão para os pobres - isto é o principal significado da Festa dos Tabuleiros."
Dorothy Spicer

São 9 páginas festivas, da 171 à 180. Pode consultar a obra na totalidade aqui:


Informação recolhida sobre a autora:


Spicer, Dorothy (Gladys) [i.e., Dorothy Gladys Spicer Fraser] (1893-1975).
Born on Staten Island, New York; died in White Plains, New York; some records show her as Gladys Spicer Fraser.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Livro Nabantino, com 400 anos, volta do Brasil.


É uma honra para a Tomar Digital ter "achado" esta digitalização e poder aqui disponibilizar todo o seu conteúdo para que nunca mais se perca este tesouro nabantino.

Garanto-lhes que foi dificílimo  desencantar um exemplar digitalizado, tendo-o encontrado através de uma fundação brasileira que salvaguarda o espólio de livros, documentos e objectos de Ruy Barbosa.

Pode fazer o download do livro em formato PDF e guardar no seu PC se assim entender.

A obra História da Vida e Martyrio da Gloriosa Virgem Santa Eria de 1618 da autoria do Freire Isidoro da Barreira, foi escrita e impressa no Convento de Cristo e faz no presente ano de 2018 o aniversário 400.

A forma como se apresenta e de acordo com os testemunhos e nomes que nela inclui, permite perceber que Isidoro da Barreira procurou junto da população a informação para compilar os seus textos sem descurar a base das obras anteriores que contam a lenda.

A riqueza histórica deste trabalho é enorme, inclui poemas, lembrando aqui que a Feira de Santa Iria foi criada pouco depois em 1626.

Provindo da Biblioteca Rui Barbosa Digital, o livro está digitalizado na integra, devo salientar que apresenta alguns lapsos de paginação de origem, como exemplo, não se ter numerado a página 53.

E está aqui disponível:


Um obrigado especial a Ruy Barbosa por ter o nosso livro na sua colecção.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Jornal de Tomar - A Verdade de 23 de Dezembro de 1888




Foi há 130 anos, a 23 de Dezembro, Domingo, que saíam as notícias do semanário "A Verdade" em Thomar, do "editor, proprietário e responsável" António da Silva Magalhães.

Após o escândalo do divórcio do rei da Sérvia e dos boatos da rainha de Portugal em se querer divorciar do Rei D. Luiz, novas notícias chegavam um pouco de todo o lado à nossa cidade, sendo que das notícias locais o Dr. Joaquim Jacinto regressou a Thomar, a D. Maria Henriqueta Martins e o Sr. Álvaro de Vasconcelos fazem anos na terça-feira, há o desfecho de uma situação burocrática no Registo Civil com o Sr. Ferraz em que o jornal "lamenta (...) ao Sr.Ferraz de Macedo (...) por mais uma vez ter ido esbarrar com um cretino".

Continuando, na semana passada, um dos criados do Sr. José Joaquim de Araújo, "acreditado comerciante desta cidade", quando procedia ao descarregamento de um casco de azeite de uma carroça para o armazém, "partiu-se uma das pranchas e batendo o casco na calçada saltou-lhe uma aduela". Apesar das providencias perdeu-se uma grande quantidade de azeite. Que desgraça...

No dia 17 o Sr.Guilherme Ferreira e a D. Florinda da Piedade casaram.

Surgem igualmente os preços actualizados do Mercado de Tomar onde os Tremoços estão a 230 Reis.




Há uma resposta ao Sr. Augusto da Silva Garcez, que em "vez ser um senhor às direitas" é "uma ratazana", assim como ao Sr.José Alves da Silva, em tom de despedida "E porque estes senhores são dignos um do outro, aqui declaramos que os deixamos - em paz e às moscas."

Perdeu-se um Varino, precisam-se sapateiro e funileiros.

Arrenda-se casa.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Tomar e 11 Decímetros

A obra Memória sobre Pesos e Medidas publicada em 1836, assegura na pagina 9 que a antiga unidade de medida Vara, 11 decímetros = 1.10 metros, estava representada na Câmara de Tomar e cuja mesma tinha sido doada pelo Rei D. Sebastião.





domingo, 9 de dezembro de 2018

Carta de Thomar para Junot (1808)

Em Julho de 1808, de acordo com os escritos e populares, foi graças à intervenção de Ângela Tamagnini, conhecedora da língua francesa, que é evitado um embate bélico entre o povo de Tomar e o exército francês ao comando do General Pierre Margaron, sob a ordem de Junot, que tinha poucos dias antes devastado a cidade de Leiria.

General Margaron

Através da Gazeta de Lisboa, que neste período estava ao serviço dos franceses como meio de propaganda napoleónica, onde o Intendente Geral da Polícia Pierre Lagarde ditava a oficiais portugueses que faziam a tradução para português, conseguimos chegar a um verdadeiro tesouro que nos escapa quando falamos deste momento da história de Tomar: uma carta destinada a Junot.

Todos conhecemos o momento em que Ângela Tamagnini através do diálogo com o General Margaron, consegue provar a rendição de Tomar, existindo até uma lenda local de que o francês se apaixonou pela italiana, que era casada com um notável de Tomar.

A Gazeta de Lisboa não refere a presença de Ângela Tamagnini, no entanto, a ter acontecido a negociação podemos deduzir que em algum momento esta carta terá entrado na negociação.

No entanto, o conteúdo da carta é pouco conhecido e surge aqui tal como surge na Gazeta de Lisboa, datada de 8 de Julho de 1808:


"Havendo-se manifestado em Thomar hum principio de insurreição, os Frades e a mais vil canalha foraó os unicos que tomáraó parte nesta revolta. Os habitantes honrados daquella Villa porém se deraó pressa a dirigir ao Illustrissimo e Excelentissimo Senhor Duque d'Abrantes a carta seguinte:


 Sua Excelencia ordenou ao General que marcha para Thomar , que distinguisse aquela Vila da cidade de Leiria , que quiz persistir no seu criminoso delírio, e que por isso recebeu o castigo merecido, como igualmente Beja e Villa Viçosa. A mesma sorte está reservada a todas as povoações que ousarem revoltar-se."


A Gazeta de Lisboa, como instrumento de propaganda ao serviço de Napoleão, continuou a dar o exemplo de Tomar em que os franceses foram "recebidos como amigos", ao contrário de Leiria onde houve mortes e destruição. Servindo assim esta diferença como aviso a todas as cidades e vilas de Portugal, como podemos verificar:

A Carta de 1808, que apresenta nomes de tomarenses desse ano, é uma forte prova do poder do diálogo num cenário de guerra.






sábado, 8 de dezembro de 2018

Poema "Sancta Iria" de Feliciano de Castillo (1839)

O poema que se segue "Sancta Iria - Chacara", a padroeira de Tomar, é da autoria de António Feliciano de Castillo e surge num livro de 1846, de nome Exacavações Poeticas, com publicação no Rio de Janeiro.
O autor revela que o poema foi escrito na Quinta da Azenha Velha junto a Carnide, a 28 de Maio de 1839.


Tocam sinos em Nabancia,
Tocam sinos á porfia;
É por S. Pedro e S. Paulo, 
Que se-festeja o seo dia. 

Á Matriz são vindas freiras, 
Quantas em S. Bento havia: 
Todo o altar um ramalhete ; 
O povo galas vestia.

Mas nem no altar se-inlevava, 
Nem no poyo se-revia 
Britaldo, filho mancebo 
Do que em Nabancia regía: 

Curiosidade o lá trouxe 
Do muito que ouviu de Iria;
Que nem ha freira tão linda,
Nem sancta de egual valia.



Logo em a-vendo foi cego, 
De quanto o ceo n’ella ria; 
Iria, é toda da gloria, 
Britaldo, todo d'Iria. 

Desde aquella negra hora 
Perdeo comer e alegria; 
Sonha as noites accordado, 
Não cuida em tal todo o dia. 

Promette amor e segredo, 
Promette ouro e pedraria, 
A propria vida promette 
Se ella aceitar-lh'a queria. 

Marido quer a donzella, 
Porém de mór jerarquia; 
Quer delicias e riquezas, 
Mas nào ouro, e pedraria.


Quer Jesu por seo esposo, 
Por sogra a virgem Maria, 
O ceo por palacio e hortas, 
Os Anjos por companhia; 

Por delicias basta a pomba 
Do Paraclito seo guia, 
Que entre as flores das virtudes 
N'alma lhe-arrulha alegria.


Gastado dos vãos desejos 
Morrer Britaldo se-via: 
Geme seo pae Castinaldo, 
Chora sua máe Cassía. 

Todo o povo anda pasmado, 
Que é dó ver tal loucanía,
Annos tāo verdes, murchados, 
Pender para a terra fria.



Chegou a nova ao mosteiro; 
Lastimou-se a boa Iria : 
Deu-lhe licenca a abbadessa 
De ir ver a quem se-morria. 

Introu manso ao pé do infermo, 
Que nada ver não queria, 
E disse-lhe: « ¡Sus Britaldo » 
E elle accordou e tremia.

Reconhecendo ser ella, 
Recobrou nova alegria: 
Dos olhos, faces e bocca 
Logo a morte sacudia; 

Ambos os bragos algava 
Como d'antes náo sohia: 
E por julga-la rendida 
Abraça-la já queria.


Como que foram serpentes 
Ella os bragos lhe-fugia: 
E contra o fogo da carne 
Sanctas razóes lhe-dizia. 

E vendo que ás razóes sanctas 
O doente se-rendia, 
Foi pór-lhe as mâos na cabeça, 
E disse com fé mui pia: 

« Nome do Padre e do Filho 
« E do Esprito que alumia, 
« Accuda-te o anjo da guarda, 
« Salve-te a virgem Maria. » 

Palavras máo eram dictas, 
Britaldo mui são se-erguia,
 E vendo-a que se-apartava,
 Com esta falla a-seguia:



«Da morte, sim, me-has livrado, 
« Não do amor de que morria; 
« Não sei se é favor, se é damno 
« O que me ora has feito, Iria. »

« Masqualquer que eme tu fosses, 
Nunca te eu mal quereria,
 « Deus te-accrescente a ventura
 « Com toda a que me-devia. »

« Eu que te-chore no mundo, 
« Onde tão solto me-ria ; 
« Tu, folga sem mim no ermo, 
« Sem homem, hora, nem dia. » 

«Que se jámais cá me-soa 
Amor terrestre de Iria, 
Qual a vida que me has dado, 
« Morte crua eu te daria. »



« Adeus e porque vás certa 
« Que ninguem te-livraria, 
Por Deus te-juro isto mesmo, 
« E pela virgem Maria ! » 

Mal era fin da uma guerra, 
Outra guerra se-accendia 
Contra a limpa castidade 
D'aquella formosa Iria.

D’entra as rosas d'annos verdes 
Viu amor que a não rendia: 
Foi entre cás emboscar-se, 
Que não ha maior falsía.

Em montes de sanctidade, 
Onde se ella mais confia, 
Por entre as fontes da graga 
Lhe-armou sua bateria. 



Um monge, dicto Remigio, 
A confessa-la sohia, 
Varão d'an nos e virtudes, 
O mór que em monges havia.

 Namorou-o a formosura 
Dalma que nua lhe-via; 
Votou perde-la e perder-se 
Quem lhe sempre fóra guia. 

Pasmou Iria atterrada 
De tão estran ha ousadia; 
Mas logo com gräo despejo 
Suas tencóes rebatia. 

Como que alfim cae na conta, 
O monge perdào pedia; 
E com mores penitencias 
Nova malda de incobria. 



As calidades das hervas 
Todas elle as-con hecia, 
Que umas sáo para saude 
Outras de grä tyrannia. 

Como veio á meia noite, 
Da sua cova sahia ; 
Como a meia noite dava, 
Hervas no monte colhia. 

Colhidas que teve as hervas, 
Suas folhas espremia; 
Toda a terra era calada , 
O rio triste corria. 

Mlixturava sumo verde 
Com palavras que sabia; 
Com seo bafo pegonhento 
O sumo se-denegria. 



Nen hum anjo ousava olha-lo; 
Nen huma estrella luzia: 
Pöe Remigio olhos de fogo 
No vaso.... e o vaso fervia. 

D'aquella infernal peconha 
Temp'rou a mesa d'Iria: 
Iria estava innocente . 
Näo suppunha mal, comia. 

Comidas que teve as hervas, 
Logo o ventre lhe-crescia, 
Como foi crescendo o ventre 
Logo o seio se-lhe-inchia.

O parecer do sembrante 
De panno se-lhe-cobria; 
Mostras de dona pejada 
Nenhuma lhe-fallescia. 

Todo o convento se-espanta, 
A-despreza e a-injuría, 
Toda a terra de Nabancia 
Ri da sua hypocrisia. 

A triste nào se-defende 
Nem defender-se podia; 
Remigio a—amaldicoava, 
Britaldo cm furias ardia. 

Tudo era contra a coitada ; 
Nem o ceo não lhe-acudia: 
Chorem leóes, chorem ursos, 
Chorem tanta barbaria. 

Foi Britaldo ter, a occultas , 
Com um que na terra havia . 
Acostumado a alugar-se 
Em qualquer malfeitoria. 

« Ora, sus Banão lhe-disse: 
« Boa nova eu te-daria, 
« Que houveras tu prata e ouro 
« Se a ferro morresse Iria. »

Depois de cuidar um pouco, 
Banão assim respondia: 
« Fizera-o eu por dar gosto 
« Só a tua sen horia. 



« Quantas monjas tem S. Bento, 
« Quantas eu te—mataria: 
« Traze ora o que prometteste 
« Que ella morta, eu posto em via. »

 Recebido o ouro e a prata 
Á facanha se-partia:
 Soube em que parte da cérca 
Aso de a-colher teria. 

Por entre umas matas densas, 
Por-li o Nabão corria 
Logar mui feito a tristuras, 
Por brenhas e penedia. 

Nas horas mortas da noite, 
Quando do córo sahia, 
Alli vinha ajoelhada 
Chorar mais resas Iria. 

N’aquellas silvestres lapas 
Logo Banão se escondia; 
Nem vento não respirava, 
A lua n agua tremia.

Bem poderam piar mochos, 
Só um rouxinol se-ouvia, 
Ao som do murmurio fresco. 
Das pedras entre a agua fria. 

Banão, por livrar do somno. 
Que no esperar lhe-crescia, 
N'uma pedra, manso e manso. 
A afiada espada afia. 

Detem-se, que ouviu passadas; 
Surge, olha em redor, espia.... 
Quando n'uma lagea bronca 
Vé de joelhos Iria. 

Dava-lhe a lua no rosto, 
Como estrella resplendia; 
E apertando as mâos algadas 
Estes prantos proferia: — 

« Jesu, esposo d'esta alma, 
« O” sancta virgem Maria, 
« O” celestes potestades, 
« O”anjo, meo casto guia. 

« Já nada por mim vos-pego, 
« Que eu nada vos-merecia, 
« Mas que não se perca a fama 
« Das monjas com quem vivia.

« Tirai do escandalo o povo, 
« E o convento da agonia, 
« E eu que morra...» Eis mão de ferro 
Que a garganta lhe-tolhia. 

E eis que vibrada no ouvido 
Esta palavra rangia: 
«Britaldo, agora te-mata, 
«Britaldo, ¿ intendes, Iria?

E logo um tinir de ferro,
 Uma espada que lusia, 
A garganta atravessada, 
O corpo em terra batia. ¡

O sangue que borbutava 
E um lume que aos ceos subia:
 E em roda d'elle mil anjos 
Com celeste melodia!

O corpo da virgem martyr 
Lá vaina corrente fria 
Nu dos habitos sagrados 
Que desde a infancia trazia.

Ramo de lirios e rosas, 
Que aboiava, parecia, 
Do Nabáo tomou-a o Zézere 
Com elle ao Tejo descia. 

Assim veiu navegando 
N’aquella agua corredia, 
Aquella alva barca humana 
Que serafins traz por guia.

 De sangue vai purpurada 
Por mais nobre galhardia, 
Dado aos ventos o cabello 
Que era as vellas que trazia. 

Por onde quer que passava 
Tudo ao longe recendia; 
Té que veiu aos pés d'um monte 
Que juncto a Escalabi havia;

E alli, onde um bom remanso 
O Tejo fundo fazia, 
Foi sepultada nas aguas
Perla de tanta valia. 

Todos os anjos e archanjos 
Da celeste jerarchia,
 No fundo d'aquellas aguas 
Trabalharam todo um dia.

Lavraram-lhe un moimento 
De pedra mui luzedia; 
Depois cantaram-lhe obzequias 
De estremada melodia. 

E antes que outra vez tornassem 
Para a eternal monarchia, 
Co”as conchinhas de mil córes, 
E o ouro que o Tejo cria, 

Sobre a campa lhe-intalharam 
Um letreiro, que dizia: 
« Livre da terra, aqui poisa 
« A virgen mui sancta Iria. » 

Sagrada a véa do Tejo 
Ficou desde aquelle dia. -


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Um Americano em Thomar - Ernest Peixotto (1922)


Ernest Peixotto (1869-1940) foi um escritor, ilustrador e artista americano, que viajou pelo mundo tendo visitado Portugal e Espanha.

O seu apelido tão lusitano deve-se ao facto de ser de ascendência sefardita.

Esta é uma obra de luxo, a todos os melhores níveis.

A obra "Through Spain and Portugal" publicada em 1922, resulta desta viagem e tem a sua passagem por Thomar, o que a notabiliza mais uma vez, sendo que o capítulo respectivo inclui duas ilustrações de Ernest.

O autor eleva Thomar através dos monumentos e arquitectura que encontrou, maravilhando-se com o Convento de Cristo.


Fica aqui o Capítulo: THOMAR, da descrição e das ilustrações:


The drives in central Portugal are truly delightful. The little open carriage, the horses* steady pace, the soft fragrance of the air, the ever-changing and ever-pleasant pictures along the way, make an ideal mode of travel, far from the noisy railway and the dust of automobiles. The scenery is not spectacular in any way—just lovely country, peaceful and idyllic. Rows of oaks and eucalypti ranged against the sky, cork-trees by the roadside, vineyards perched on rocky terraces, vales of olive groves, and, most of all, pine woods, sundrenched and balsamic, on the risings—such are the features of the landscape. Villages seem few for populous Europe, but the farms, when you come upon them, are homelike, freshly painted, and clean. For some hours we drove along, crossing many steep ridges until, toward noon, Ourem's Castle came in sight, perched high on a fat, round hill. This we skirted, through vineyards and olive or-



chards, until we entered the long street of a town. Villa Nova d'Ourem, where we drew up before a very modest hospedaria. Notwithstanding its humble appearance, we found a neat, cool room up-stairs and had a good, plain luncheon. As soon as the noonday glare had somewhat subsided we were off again for another two hours. Then, at a turning, Thomar's church and castle suddenly rose before us. It seemed too late to climb the hill that evening, so we loitered instead in the fragrant gardens that skirt the Nabao, a little stream that seems to run right through these pleasuregrounds, feeding numerous picturesque wheels that dip its water into sluices and carry it off to the thirsty fields. When, next morning, we did ascend to the castle, we found it a fine old ruin that overlooks a vast expanse of country. From its battlements you may follow the course of one river after another —the Nabao, the Zezere, the Isna—as they wind through orchard and vineyard to their junction with the mighty Tagus. The merlons of its ramparts, pierced with loopholes in the shape of a cross standing on a circle,

show that it was built for the Templars, this being their emblem—the cross upon the earth. Their day passed, the infidel was driven from the country forever, and, relieved of the nightmare of the Moor's return, a new brotherhood arose and installed itself in the castle—the Order of Christ. Headed by its grand master, Henry the Navigator, its members put all their strength to new endeavor and dreamed their dreams of conquest and exploration, unveiling one by one the secrets of the ocean, finding the water routes to the uttermost ends of the earth, adding far countries to the crown of their sovereign. The church that adjoins the castle reflects both these periods. Its earlier portions, rugged and battlemented, built like a fortress, an outpost fronting the enemy, suggest the warlike spirit of the Templars. Its later portions voice the dreams of the Knights of Christ, and remain perhaps the supreme record of the most heroic and patriotic period of Portugal's history, when these knights constituted the vanguard of their country's civilization, supplying the wealth to back Prince Henry's enterprises and send one expedition after another over the seas,

the sails of the caravels emblazoned with the special cross that was the sign of their order. Each stone of the church speaks of some feat of these navigators; every detail of its ornament chants a song of the sea and the whole edifice is a poem of patriotism written in stone by its genial architect, Joao de Castilho. To read its story you must forget cold architectural measurements and look at the church as a vast fabric of symbols. Then, upon its buttresses, you will discern the corals and pearls of the tropic seas; upon its string-courses you will find ropes twisted through cork floats; in the reveals of its rose window the sails of the caravels belly in the wind, restrained by taut cordage and, capping its battlements, pierced by a frieze of armillary spheres, emblems of hope and of the king, the crosses of the Order of Christ form the cresting against the sky. The extravagant climax is reached in the chapterhouse window, a fantasy in limestone, a bit of submarine architecture worthy to grace a palace of the Nereids at the bottom of the sea : corals and sea-kelp, moving wave forms, bits of anchors and broken chains, shells and anemones, conches and cockles


blended together in a strange medley of forms too intricate to describe and too delicate to draw that contrast beautifully with the vast plain surfaces that surround them. The main entrance to the church is much more restrained and is perhaps the most beautiful doorway in the country, reminding one of the same architect's design at Belem, but finer both in conception and execution. The interior befits the meeting-place for holy knights, recalling some temple of the Grail. The knights worshipped in the coro alto to which a staircase ascends from the great cloister, and one can readily picture the chevaliers, two and two, mounting its narrow steps in dignified procession. The cloisters are of vast extent, but, owing to their late date, offer little of artistic interest, except perhaps the little cemetery courtyard, gay with flowers and Moorish tiles. From one of the large cloisters you step out upon a terrace overlooking a lovely vale. The convent wall edges the hill beyond, and all between stretch the gardens of the knights —bouquets of stately pines and rich masses of foliage— while in the quinta nearer the monastery, now the property of the Count of Thomar, oleanders, oranges,


 and loquats bloom amid masses of handsome flowers. Thomar is the swan-song of the Portuguese builders—the last outpouring of their soul, the final burst of glory before misfortune overtook their country and a Spanish Philip built the cold Palladian cloister that proclaims the death of the country's greatest hopes.